Catástrofes após a catástrofe

da bingo em cassCATÁSTROFES APÓS A CATÁSTROFE

da Texto – Willi Backes.

O Estado do Rio Grande do Sul tem próximo a 12 milhões de habitantes. A capital Porto Alegre tem 1.350.000 residentes. A soma das 10 principais cidades populacionais – Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas, Pelotas, Santa Maria, Gravataí, Novo Hamburgo, Viamão, São Leopoldo e Passo Fundo pela ordem – tem algo em torno de 4 milhões de residentes. E ainda, Bento Gonçalves tem 130 mil, Lageado e Guaíba, 100 mil habitantes cada uma.

O Estado do Rio Grande do Sul tem 497 municípios, dos quais, segundo informes oficiais, mais de 400 deles foram e estão sendo atingidos pela catástrofe natural devido as repetidas e imensas chuvas em curto espaço de tempo.

É fácil deduzir que todo o Estado do Rio Grande do Sul, quarta economia nacional, foi atingido, sem distinção, e que os reflexos sociais e econômicos serão históricos no Estado e no Brasil.

Enquanto escrevo essas linhas, a informação oficial era de 146 mortes decorrentes da catástrofe natural, e outros 150 desaparecidos. Nos próximos dias e semanas, os números serão superiores, dobrados ou até triplicados.

Está viva na memória dos sulcatarinenses a catástrofe de 1974 na Bacia do Rio Tubarão quando além das 200 mortes causou infindáveis prejuízos sociais e econômicos.

RESPOSTAS À PERGUNTAS PERTINENTES

As águas invasoras levarão semanas para se estabilizarem nos cursos normais, tradicionais. Fora as águas, nada voltará a normalidade, igual ao que era até antes desses dias fatídicos. Notadamente cresce e crescerá imensamente os fatores humanitários dos cidadãos, e, desnudará o Estado que se autointitula protetor e provedor.

As consequências após a catástrofe natural – devido às dimensões e duração – trarão outras modalidades de prejuízos catastróficos.

– Resgate dos corpos humanos, identificação, sepultamento familiar,

– Recolhimento e enterro de milhares de espécies animais de pequeno, médio e grande porte, com orientação dos órgãos de vigilância sanitária,

– Providenciamento de alimentação, vestuário e materiais de higiene para milhares de desabrigados em alojamentos improvisados,

– Providenciar milhares de equipamentos para recolhimento, transporte e depósito de milhões de toneladas de barro e demais entulhos em descarte,

– Providenciar auxilio para recolhimento, transporte e depósito do descarte em locais apropriados de milhares de toneladas de móveis, eletrodomésticos, alimentos, vestuário e outros, das residências, comércios e indústrias,

– Revisão e reconstrução de todo sistema de escoamento e tratamento sanitário,

– Revisão e reconstrução de todo sistema de tratamento e distribuição de água potável,

– Revisão e reconstrução de todo sistema de geração e distribuição de fornecimento de gás residencial, comercial e industrial, bem como e principalmente, recuperar e repor a produção, geração e distribuição de energia elétrica residencial, comercial e industrial,

– Reconstrução de moradias parcialmente ou totalmente destruídas pela catástrofe natural,

AS BATALHAS JURÍDICAS QUE SE AVIZINHAM

É seguro fazer seguro? Seguro parcial tem segurança? Qual a diferença entre o seguro escrito e o seguro prometido? Catástrofes naturais são possíveis de se prever no contrato do seguro?

Esses questionamentos são apenas uma pequena parcela dentre os milhares de conflitos interpretativos entre o vendedor e pagador de apólice de seguro de vida e patrimonial e que emergirão após a normalização das águas. Haja juízo em profusão entre organizações seguradoras, clientes afetados desesperados. Popularmente é dito que “a parte mais sensível do corpo humano é o bolso” e as respostas quando depende da interferência e decisão judicial, prolonga a angústia mútua, do devedor e do credor.

Os recursos públicos – gerados das receitas dos impostos capturados das pessoas e empresas – irão para reconstrução de pontes, rodovias, vias, escolas, prefeituras e seus equipamentos, hospitais e presídios, enfim, daquilo que está sob gestão dos órgãos públicos. Sem apólice de seguro, mas, estão assegurados pelos recursos públicos gerados pelos “contribuintes”.

Quanto aos comuns – indivíduo trabalhador, famílias, comércios, indústrias, serviços e desempregados – milhares além perderem o mobiliário perderam a moradia, casa e apartamento, tudo. O comércio nas áreas urbanas e rurais foram devastados, perda total. As indústrias tiveram depredados estoques, matéria prima, equipamentos, transportes e ferramentas. Como poderão sustentar a produção?

Na agricultura, parte dela, deverá estar incluída no seguro do plano safra. Equipamentos para produção agrícola como tratores, ceifadeiras, colheitadeiras, plantadeiras, caminhões galpões, muitos com valores superiores a 1 milhão de reais, submergiram e foram transladados pelas águas. Tropas e rebanhos de espécimes animais foram aniquilados. Até onde irão as coberturas das apólices de seguros? E elas existem?

Em todo o Rio Grande do Sul, centenas de milhares de veículos automotores profissionais e particulares, estacionados em shoppings, aeroportos, condomínios, agencias funcionais, ruas e avenidas, foram parcialmente ou totalmente depredados pelas águas, detritos e lama infectada. Quem e quais terão chance de reposição patrimonial?

As obras – como as casas/residências populares – financiadas por agentes públicos, possuem cobertura de seguro obrigatório ou é opcional?

Certamente serão necessários inúmeras providencias públicas e populares para que em algumas décadas tenhamos novamente um Estado vizinho pujante, animado e desenvolvido. O que se leva dessa vida é a vida que levamos!!!

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