Blast from the Past: Kingdom Hearts (PS2)

Blast from the PastBlast from the Past: Kingdom Hearts (PS2)porRafael Neves em 30/07/2011Editar

da up sport bet: Cross-overs são comumente imaginados por gamers . Muitos já imaginaram as combinações mais loucas de séries famosas de games, heróis com… (por Rafael Neves em 30/07/2011, via PlayStation Blast)

da todayCross-overs são comumente imaginados por gamers. Muitos já imaginaram as combinações mais loucas de séries famosas de games, heróis completamente diferentes lutando juntos, dentre outras fantasias. Na época do PS2, a Nintendo trazia Super Smash Bros. Melee (GC) como um grande cross-over há quase um ano. A Sony não podia deixar barato, não demorou muito para, em 2002, a gigante japonesa trazer Kindgom Hearts às lojas. O esquisito RPG da Square Soft parecia coisa de louco, mas fez um sucesso invejável para muitas outras franquias!

Tetsuya Nomura, um dos maiores designers de personagens da Square (de Final Fantasy), assumiu a direção de um game em conjunto com a Disney Intercative Studios. A missão era unir a fórmula e os elementos da série Final Fantasy, muito populares no Japão, com os personagens icônicos da Disney, de sucesso no mundo todo, em uma só obra. No game, Sora, um garoto de 14 anos, viaja por vários mundos das séries da Disney atrás de seus amigos. Na jornada, luta contra Heartless e descobre que sua missão é muito mais do que apenas resgatar seus companheiros. Com uma mecânica de RPG de ação sólida, é um clássico instantâneo do PS2 e que já rendeu sequências para vários outros consoles.

Uma nova fantasia

Sora vivia sua vida em Destiny Islands junto a seus amigos e família, sonhando com o dia em que partiria para visitar o resto do mundo. No entanto, pouco antes de ele e seus inseparáveis companheiros, Riku e Kairi, começarem a jornada, a ilha é atacada. Criaturas das trevas brotam de vários lugares e instalam o caos no lugar. Para derrotá-las, Sora desperta o poder da Keyblade, uma espécie de espada em forma de chave. No entanto, o jovem não é capaz de proteger os seus amigos, ele, então, acaba parando em Traverse Town, um lugar completamente diferente de sua terra natal. Lá, conhece Pateta e Donald (sim, eles mesmo), enviados do rei Mickey (o próprio). Juntos, o trio parte numa jornada para encontrar aqueles que lhes são preciosos. No entanto, a aventura englobará uma aventura épica para salvar todo o mundo.

Nesta jornada, os três visitarão vários mundos famosos da Disney. Juntos, enfrentarão desafios no País das Maravilhas, conhecerão Jack Skellinton e o mundo do Halloween e ajudarão Tarzan na selva. Também lutarão com Heartless no Olympus Coliseum, ao lado de Aladin em Agrabah e muito mais! Sim, ver um personagem com um design de RPGs japoneses lutando ao lado do Pateta e do Donald em universos infantis da Disney parece estranho, mas é o que difere Kingdom Hearts de muitos outros RPGs de ação!

Não é brincadeira não

Para quem acha que Kingdom Hearts é um game de criança, uma mera aventura e coisas do tipo, melhor repensar este game. Kingdom Hearts é um legítimo RPG da empresa por trás de Final Fantasy, e isso está evidente não só nos personagens da franquia (como Cloud e Yuffie) que aparecem no game, como na mecânica de batalha e customização dos personagens. Você tem controle sobre Sora, ao passo que Pateta e Donald dão suporte sob comando do game. Nas batalhas, todos lutam juntos contra os inimigos mais comuns: Heartless. O sistema lembra muito um hack’n’slash, mas com mecânicas de RPG. Por exemplo, antes das batalhas, o game dá muita liberdade para customização dos comandos, status, equipamentos e habilidades. Há também pontos de experiências, além de magias e tudo mais que fazem de um RPG um RPG.

No entanto, o objetivo “mate todos os inimigos” pesa bastante. Você se verá várias vezes apertando o botão de ataque sem parar, apenas para ver mais e mais Heartless explodindo na tela. Sim, neste aspecto, Kingdom Hearts é bem repetitivo. A Square até colocou umas funcionalidades para quebrar este ritmo, mas sem muito sucesso. Mesmo com a mudança de cenários a cada novo mundo visitado, os sinais de repetição são constantemente evidenciados. Uma câmera de jogo ruim também agrava os problemas.

Dentre as formas de tentar romper o ciclo repetitivo, temos o uso da Gummi Ship. Trata-se da nave usada por Sora e seus companheiros para navegar pelos diversos mundos da Disney. No entanto, controlá-la é uma das piores experiências do PS2. A nave tem movimentos ruins, noções péssimas de profundidade e atirar é uma tarefa árdua. Outro deslize grave são os momentos em que o game assume algumas características de um jogo de plataforma. A câmera se torna um grande vilão neste caso, ou você também não se confundiu bastante no mundo de Tarzan?

 

A magia Disney

Em se tratando de visual, Kingdom Hearts está acima da média. Não são gráficos perfeitos para o PS2, visto que sua sequência (Kingdom Hearts II) fez ainda melhor, mas o fator “Disney” fez do visual algo muito mais bonito. É legal ver a modelagem em 3D de universos que fizeram a nossa infância como o mundo de Hercules, Alladin, Rei Leão, etc. Até mesmo o Ursinho Pooh entra na brincadeira. Há muita fidelidade às obras originais, mas também há todo um toque RPG nos ambientes. Esse é um ponto que difere Kingdom Hearts de um mero “jogo baseado em filmes”. O game tira proveito de obras populares para seguir um rumo próprio.

Outro ponto que vale ressaltar é o excesso de efeitos de luz brilhantes. Lembra daquele episódio de Pokémon que foi cancelado por que causava convulsões pelo uso de imagens que piscavam? É quase isso. A cada Heartless desintegrado, muitos efeitos visuais inundarão a tela. Se você não se importa com o exagero de cores, estará de frente para um dos jogos mais eletrizantes que o PS2 já viu!

 

 

Um novo pilar

O que parecia ser uma caça-níquel da Disney e Square acabou se tornando um dos maiores RPGs atuais. Atualmente, a Square-Enix (em 2003, Square e Enix se uniram, uma das maiores uniões da indústria dos RPGs, já que colocou no mesmo lugar rivais como Dragon Quest e Final Fantasy) tem em Kingdom Hearts o esforço de grande parte de seus desenvolvedores. É uma série que conta com vários games para vários consoles e muitos outros produtos. Apesar das críticas à infantilidade da Disney num game que trilha um enredo sério e denso, há quem veja nesse contraste um ponto positivo para a série. Kingdom Hearts 358/2 Days para o DS, por exemplo, é um dos games mais melancólicos do aparelho, e nem por isso deixa de possuir os personagens e mundos da Disney.

O motivo para tanto sucesso? Talvez por ter personagens de Final Fantasy e universos da Disney, mas o principal é por não ficar apenas se gabando disso. Kingdom Hearts não é aquele jogo que apenas usa nomes de séries famosas para fazer sucesso, ele faz mais do que isso. É um jogo bem feito e não uma mera jogada de marketing para ganhar dinheiro em cima de fãs da Square e da Disney.

Atualmente, temos 3 jogos da série Kingdom Hearts para o PS2. Se você ainda tem esse magnífico console em casa, nada melhor para fazer do que começar (ou recomeçar) a série a partir do primeiro game: Kingdom Hearts!

~DestaqueBlast from the PastPS2TweetRafael Neves
é quadrinista e estudante de medicina da UFBA. Jogos fizeram parte dessa vida desde os seus primeiros anos, embalando muitos dos mais fortes laços de amizade e histórias de vida. E esse legado desembocam nas matérias que escreve aqui no Blast e em sua HQ, The Legend of Link.ComentáriosGoogleDisqusFacebook