Análise | The Callisto Protocol acerta na ambientação, mas peca na jogabilidade

da crazy time casino: Sair da sombra das suas inspirações é um trabalho difícil em qualquer área. Nos games, por vezes isso esmaga o potencial de novos projetos como um todo. The Callisto Protocol é o exemplo mais recente, tendo sido desenvolvido por criadores da franquia Dead Space e visa ser uma espécie de sequência espiritual. Mesmo nessa situação, também teve de lidar com a sombra da obra que o influenciou e, infelizmente, raramente deu conta de criar a sua própria.

Prisão do terror

da bolinha de bingo

A Striking Distance Studios apostou no mistério para conduzir a narrativa do seu primeiro jogo. Com gráficos exuberantes, somos jogados de imediato no conflito espacial que carrega a trama. No controle de Jacob Lee, piloto de uma nave de carga interpretado pelo astro Josh Duhamel, vemos nossa embarcação ser invadida por Dani Nakamura, uma personagem misteriosa interpretada por Karen Fukuhara, famosa pelo papel de Kimiko na série The Boys. Após diversas explosões geradas pelo embate, em uma sequência muito bem produzida, caímos finalmente em Callisto, o satélite de Júpiter onde a ação se desenrola.

Jacob perde sua tripulação na queda e é preso pela polícia local imediatamente após um chamado misterioso para o oficial que buscava pela nave caída. Levado para uma prisão de segurança máxima, ele vive os piores pesadelos da sua vida enquanto tenta descobrir porque foi preso, o que deu origem aos monstros que surgiram na prisão, mais sobre o passado de colonização humana, e grupos bizarros.

A narrativa não é o ponto forte do jogo e, tirando aparições tímidas de um ou outro personagem secundário, não tem núcleos marcantes. O mistério por trás da jornada vai ficando bem óbvio com o tempo e não foge muito do convencional também. O que acaba chamando a atenção é a ótima ambientação de Callisto, tanto dentro quanto fora da prisão. A equipe talentosa da Striking Distance conseguiu entregar cenários belíssimos e um design de áudio exuberante. Se por um lado o jogo foca mais na ação do que no terror, por outro consegue entregar aquela sensação de apreensão constante graças à realização técnica e boa direção de arte. As referências à Dead Space estão por todos os lados também. Mensagens escritas com sangue nas paredes, a interface diegética do personagem, a customização das armas, orientação da câmera, quase tudo parece ser tirado direto do clássico.

A quantidade de sangue e cenas violentas também impressiona. A cada morte de Jacob é quase como se um “Fatality” de Mortal Kombat acontecesse na tela, com amputações, gritos de dor e muito sangue jorrando. Definitivamente não é para quem tem o estômago mais fraco.

No PS5, onde jogamos, a performance do jogo é exemplar e o uso da plataforma é bem executado, incluindo elementos secundários como a boa implementação do DualSense. Nas outras plataformas, no entanto, há muitos problemas no momento, especialmente no PC. Caso pretenda se arriscar em alguma delas, é bom ler os relatos de outros jogadores antes de tomar a decisão de desembolsar o valor salgado pelo jogo já agora no lançamento.

Jogabilidade repetitiva e design confuso

Ambientação não é tudo e, especialmente num jogo com foco tão grande nas cenas de ação, a jogabilidade acaba sendo um dos pilares mais importantes. A equipe aqui foi ousada e apostou em dar foco para o combate corpo a corpo. Jacob, a princípio, conta apenas com armas improvisadas e em seguida ganha um bastão eletrificado de um guarda. Para vencer os monstros pelo caminho, precisa desviar de forma precisa e contra atacar com força repetidas vezes para matá-los.

O principal entrave são os controles. O desvio é feito com o analógico direito, o mesmo que movimenta a câmera, o que causa um certo desconforto, especialmente por não ser o padrão em outros jogos do tipo. É preciso alternar entre esquerda e direita no manete para continuar se esquivando, o que exige um tempo de prática que o jogo não proporciona, já que logo de cara está botando dois ou mais inimigos para cima do jogador. Mesmo após horas de prática, esses movimentos ainda parecem um pouco imprecisos, especialmente porque só funcionam a partir de uma certa distância e não há como marcar um inimigo. Em chefes finais, por vezes morri movendo a câmera em vez de esquivar por não estar tão próximo quanto é necessário.

Após as primeiras horas o protagonista ganha armas de fogo, mas o design como um todo é feito para que você tenha sempre que recorrer ao combate corpo a corpo, incluindo grande parte dos monstros simplesmente correrem na sua direção. Há, inclusive, combos para bater com o bastão e então disparar uma arma de forma rápida para remover um membro do inimigo e vencer o combate. Apostar nessa visão transformou o jogo no mínimo em divisivo imediatamente, mas o agravante é ver que por vezes tudo é jogado para o alto em momentos chaves. Há um monstro de duas cabeças que mata o seu personagem com apenas um ataque, por exemplo. Desviar contra ele é inútil e é necessário recorrer apenas às armas de fogo, que você provavelmente não vai ter melhorado o suficiente até o fim do jogo, quando ele aparece, gerando dezenas de mortes irritantes que mostram a mesma animação demorada na tela.

Além da jogabilidade conflitante, há outros problemas. Inimigos são repetidos à exaustão e na maior parte das vezes se resume a andar para frente e executá-los. Não há quebra-cabeças legais ou elementos interessantes de exploração, apenas uma repetição de ideias que deixa o jogo cansado após algumas horas. Mesmo as partes de furtividade não deram o frescor necessário para a jogabilidade e também sofrem pela simplicidade. Talvez tenha feito falta um orçamento mais robusto, algo que provavelmente a EA está garantindo no remake do Dead Space original.

Falando na obra que o inspira, The Callisto Protocol acaba ficando sem muita personalidade, já que o pouco que traz de novo acaba sendo mais problemático do que um golaço como fizeram na época de Visceral. Aliás, inclusive você sente falta de várias coisas. As armas, por exemplo, passam longe da criatividade de Dead Space e caem no clichê escopeta, ar e pistola. No fim, a sombra de Dead Space consumiu Callisto como um eclipse lunar e o resultado acaba não convencendo.

Conclusão

The Callisto Protocol acerta na ambientação e entrega gráficos exuberantes na nova geração, mas não passa muito disso. As decisões de design para a jogabilidade são conflitantes e geram repetição exagerada com frustração por conta dos controles exóticos. No fim, não consegue alcançar a obra que o inspira e também não traz nada de muito relevante para o gênero.

Prós

Gráficos impressionantes, especialmente no que diz respeito aos personagens Animações de morte são variadas e divertidas Ambientação e sonoplastia convencem e assustam

Contras

Jogabilidade pouco responsiva e confusa Inimigos sem variedade são repetidos à exaustão Foco exagerado no combate, que não é dos melhores Pouca variação nos objetivos 

Nota: 7,0/10,0

Uma cópia do jogo para PS5 foi fornecida pela Krafton para a elaboração desta análise

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