Análise: Hatsune Miku – The Planet Of Wonder And Fragments Of Wishes (Multi): minijogos variados para todos os gostos — menos para o bolso

Lançado de surpresa para PC e os consoles mais recentes da Microsoft no último 21 de abril, Hatsune Miku – The Planet Of Wonder And Fragments Of Wishes já estava disponível no Switch desde o ano passado. À primeira vista, parece um jogo bobinho — e para muitas pessoas, talvez o seja de fato —, porém este título criado pela Crypton Future Media tem seus méritos e é capaz de entreter, mesmo que de uma maneira inusitada.
Uma viagem espacial que não deu muito certoA história começa quando Miku e seus amigos, os Vocaloids Kaito, Meiko, Luka, Rin e Len, ganham uma viagem espacial. Em determinado momento da tour, Len avista uma estrela cadente, mas instintivamente deseja vê-la mais de perto.
Esse desejo faz com que o astro colida com a espaçonave dos Vocaloids, forçando-a a fazer um pouso em um planeta desconhecido. No local, os personagens descobrem que o veículo está destruído e agora cabe a eles encontrar uma maneira de consertá-lo e voltar para casa.

Contudo, eles não estão sozinhos no planeta: logo o grupo descobre que um monte de animais antropomórficos também moram lá e estão à procura de Pentas, uma entidade capaz de realizar seus desejos. Acontece que, na ausência desse ser misterioso, Miku e companhia precisam completar as mais variadas tarefas e, dessa forma, adquirir fragmentos de estrela cadente, que o Professor Kalmia, responsável por estudar Pentas, acredita serem capazes de trazer a entidade de volta.
Se você, até aqui, achou que a história é simples, acertou: não existe muita profundidade na trama em si, já que ela é uma desculpa para apresentar as diversas tarefas — trocando em miúdos, os minijogos — presentes neste título. Contudo, por mais que a campanha principal possa ser completada em aproximadamente 30 minutos, o enredo tem seus méritos e é capaz de entreter com a importante lição que ensina.
Infelizmente, os únicos idiomas disponíveis para interface e textos são japonês e inglês, algo que pode deixar o público que não tem tanto conhecimento dessas línguas um pouco com o pé atrás. Por outro lado, nenhum diálogo é extremamente complexo, fazendo com que o entendimento da história e dos objetivos dos minigames não seja algo de outro mundo.

Desafios para todos os gostos — especialmente para complecionistasAo todo, Hatsune Miku – The Planet Of Wonder And Fragments Of Wishes traz nove minijogos: Apple Catching; Pick Up & Deliver; Play From Memory; All-You-Can-Eat Cake; Doki Doki Parachute; Balance the Boxes; Wobbly Building Blocks; Amiguru Jump; e Amiguru Train. Curiosamente, esses dois últimos eram títulos disponíveis apenas para dispositivos móveis, mas foram incluídos nesta coletânea estrelada por Miku e seus amigos.
Cada uma dessas atividades traz jogabilidade e desafios variados, bem como suas dificuldades, como ajudar o panda Stock a coletar maçãs que estão caindo enquanto desviamos de cogumelos venenosos ou comer todos os doces da confeitaria de Daisy dentro de um tempo extremamente pequeno. Alguns joguinhos requerem apenas movimentar nosso bonequinho de um lado ou para o outro ou apertar um botão específico no momento certo, enquanto outros exigem um pouco mais de coordenação motora e memorização.

A título de curiosidade, meus favoritos dessa amálgama de atividades são Amiguru Train, Amiguru Jump, Apple Catching e Wobbly Building Blocks; já minha namorada gostou mais de All-You-Can-Eat Cake e Balance the Boxes. Neste quesito, posso afirmar que Hatsune Miku – The Planet of Wonder And Fragments Of Wishes acerta na jogabilidade, já que todos esses joguinhos podem ser aproveitados a qualquer momento e abrangem vários estilos — com certeza, um deles agradará a alguém.
Sendo bem sincera, a proposta toda deste título não é a história que engloba os minijogos em questão, mas sim os desafios que eles proporcionam. A coletânea gira em torno de pontuações máximas e a vontade de coletar moedas, sendo que estas servem para comprar canções criadas por Piapro compostas especialmente para Hatsune Miku – The Planet Of Wonder And Fragments Of Wishes, além de outros itens cosméticos in-game, como Amigurumis diferentes para Amiguru Jump e Amiguru Train; e amiguinhos (Otomodachis) que podem seguir nosso bonequinho para cima e para baixo no planeta desconhecido.

Porém, quem tem alma de complecionista e deseja fazer 100% desta curiosa obra precisará coletar por volta de 100 mil moedas para adquirir todas as skins dos Amigurus, as músicas e os 21 Otomodachis. Além disso, quem tiver vontade de desbloquear as 10 conquistas não relacionadas ao modo história deverá se dedicar a concluir as missões individuais de cada minigame, bem como atingir suas pontuações máximas.
Como adicional, ao completar a história, algumas atividades ganham versões mais difíceis durante a noite, e elas também são contabilizadas para as conquistas do Steam.

Um visual fofinho e carismáticoPara além dos minijogos, Hatsune Miku – The Planet Of Wonder And Fragments Of Wishes esbanja um bonito e colorido visual que remete à era 16-bits. Podemos, inclusive, trocar o Vocaloid e o Otomodachi que controlamos na aventura e nas demais atividades (que não Amiguru Train e Jump, que dependem da compra de skins com as moedas obtidas); as três músicas de fundo, uma para cada período do dia, também podem ser mudadas conforme adquirimos novas canções na loja de Aster.
Temos ainda uma vasta galeria com as artes do modo história e também perfis dos moradores do planeta e dos amiguinhos que desbloqueamos. Talvez a maior ressalva que eu tenha a fazer é que algumas das atividades podem causar LER (Lesão por Esforço Repetitivo) se jogadas por muito tempo consecutivo, como acontece com All-You-Can-Eat Cake e Amiguru Jump, que demandam que apertemos um único botão constantemente.

Um produto de qualidade destruído pelo preçoSinceramente falando, Hatsune Miku – The Planet Of Wonder And Fragments Of Wishes teria de tudo para ser uma forte recomendação para fãs de minijogos e de Vocaloids no geral, não fosse o preço absurdo cobrado por esta coletânea. Este título carismático é capaz de agradar a uma vasta gama de pessoas, especialmente as que adoram experiências relativamente simples voltadas ao desbloqueio de conquistas, mas, se não for para ser adquirido em uma promoção, seu preço não justifica o conteúdo.

PrósApresentação audiovisual carismática que remete à era 16-bits;Nove minijogos diferentes, cada qual com seus próprios objetivos e missões;Diversos conteúdos desbloqueáveis com as moedas obtidas nos minigames, como skins para Amiguru Train e Jump, músicas criadas exclusivamente para o jogo e amiguinhos que seguem nosso Vocaloid enquanto exploramos o planeta;Modo história simples, porém satisfatório;Possibilidade de alterar o Vocaloid que controlamos, bem como as músicas de fundo para cada período do dia e o Otomodachi que nos segue;Galeria com todos os personagens e as artes do jogo.ContrasComo o modo história é extremamente curto, o conteúdo acaba sendo mais voltado às pessoas que desejam fazer 100% na campanha;Alguns minijogos podem causar LER se jogados repetidamente sem intervalos, como Amiguru Jump e All-You-Can-Eat Cake, que demandam o pressionar de um único botão o tempo todo;O preço cobrado (R$ 160) não justifica o conteúdo;Sem suporte ao português ou a outras línguas latinas.

Hatsune Miku – The Planet Of Wonder And Fragments Of Wishes — PC/XBO/XSX/Switch — Nota: 6.5Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Davi SousaCapa: Juliana Paiva ZapparoliAnálise produzida com cópia digital cedida por KOMODO